Caminho do Itupava

    
    
    
    
    

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Testemunhas da História


 


Relato de João da Silva Machado - Tenente Coronel ( Barão de Antonina), vistoriou os Caminhos do Arraial e Itupava a pedido do Vice-Presidente da Província de São Paulo, 1829.

"Do ribeirão de Porto de Cima faz a primeira légua no lugar denominado Prainhas, bom caminho de mato, terreno areísco e planiço, a exceção de dois pequenos grupos de pedras que é preciso arrebentar. Continua mais 500 braças de bom caminho de mato e depois 1000 braças de muita subida e descida no lugar denominado Sabiocava, com algumas estivas de madeira que precisa de uma continuada calçada de pedra até o Ribeirão do Pinheirinho, onde faz a segunda meia légua.

Do dito ribeirão segue 440 braças de bom caminho, pedregoso e planiço, até o Rodeiozinho, que tem em baixo da serra: e esta tem 900 braças de trajeto muito penoso até o cume da serra, o trânsito é penoso por causa da enfiada de grandes pedras que tem descoberto no único trilho que os animais tem feito e que, por isso, oferece muitos saltos, e dependem de uma grande calçada, com os zig-zag que for possível construir pois o lugar onde se transita, é trilha de acesso muito íngreme e subida, além do cume da serra, é bom caminho e planiço, que não depende de calçada até o Cadeadinho, onde faz a terceira meia légua.

Do Cadeadinho segue agora a serra chamada de Farinha Seca, terreno que depende de uma calçada contínua a exceção de mui poucas quadras até o Rodeio do Atalho, onde perfaz a quarta meia légua. Do Atalho segue 321 braças de caminho sofrível dependente de pouco calçamento até o Ribeirão Ipiranga com 600 braças de terreno montanhoso, que pela metade deve ser calçado até o Ipiramirim, segue por péssimo terreno com necessidade de calçamento pelo Morro Emendado até o Saltinho que completa a quinta meia légua.

Continua igualmente ruim, necessitando de calçamento até o lugar denominado Boa Vista, dali segue caminho variando de bom a mau até o cume do Morro denominado Pão de Loth que somam 920 braças, 500 delas precisando de calçamento. No dito cume se encerra o caminho ruim, sendo dali em frente Estrada franca que depende apenas do concerto de dois aterros na Campina onde faz a sexta meia légua.

Pela maneira descrita, acho que na distância de três léguas e meia, que vem desde Porto de Cima até a Borda do Campo, há necessidade de calçar 4700 braças pouco mais ou menos, para dar caminho livre à passagens dos cargueiros, salientando o não pequeno serviço que é preciso fazer naquele terreno para poder receber as ditas calçadas, visto o quanto é instável por causa das muitas valas que as enxurradas tem feito, naqueles lugares, onde a passagem dos animais tem feito um só trilho, por isto que cada vez mais se arruína e se o potente braço do governo o não fizer construir logo a necessária obra, ficará em pouco tempo no todo intransitável este caminho, o qual além de consumir a sua execução, talvez para mais de quarenta contos de réis, é preciso a direção de um hábil engenheiro."


Outros Relatos:

:: Relato do Brigadeiro José Custódio de Sá e Faria.
:: Relato de Auguste de Saint`Hilaire.
:: Relato do Barão de Antonina.
:: Ordens de José Carlos Pereira de Almeida Torres.
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (I)
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (II)
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (III)
:: Relato de Francisco Antonio de Oliveira.
:: Relato de Antônio Vieira dos Santos.
:: Relato de Antonio Ribeiro de Macedo.
:: Relato de Henrique de Beaurepaire Rohan.
:: Relato de Diogo Pinto de Azevedo Portugal.




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