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Relato de Jean Baptiste Debret - Pintor e Historiador, "Viagem pitoresca e histórica ao Brasil", 1831.
Soldados índios de Curitiba
Encontram-se na província de São Paulo, comarca de Curitiba, as aldeias de Itapeva e dos Carros, cuja população inteira se compõe de famílias de "caçadores" índios, empregados pelo governo brasileiro para combater os selvagens e rechaçá-los pouco a pouco das regiões próximas das terras recém cultivadas.
Sua farda constitui-se de um boné de pano, de gomos de diversas cores, franzido na aba para se ajustar ao tamanho da cabeça, de uma camisa, de um colete de pano cujo traseiro difere, na cor, do dianteiro e de amplas calças brancas de algodão, cortadas a moda espanhola e terminando em franjas. Não usam calçados nem meias.
Esses soldados aguerridos carregam seus víveres dentro de um saco e dormem a noite nas florestas sem acender o fogo, para não serem pressentidos pelos selvagens que procuram surpreender.
Atualmente, em determinada época, o governo lhes distribui munições para que se ponham em marcha; depois de partir, só voltam quando esgotam suas provisões de guerra; descansam, então, até a campanha seguinte. Durante esse intervalo, cultivam suas terras e servem de guias aos visitantes estrangeiros.
Sua tática consiste em atacar os ranchos dos selvagens, matar os homens e procurar fazr prisioneiras as mulheres e as crianças. Selvagens eles próprios outrora, conhecem melhor do que os europeus os ardis que devem ser empregados nessas expedições. Como eles sabem, por exemplo, que os índios, ao abandonar uma habitação, têm por hábito acender fogueiras em sinal de adeus às tribos vizinhas, e que estas respondem em geral do mesmo modo, não se esquecem, ao entra na floresta que desejam explorar, de se servir do mesmo estratagema para descobrir as habitações possivelmente existentes. Informados por esse primeiro reconhecimento, concertam seus planos de ataque com vantagem. Entretanto, apesar de tudo o que aprnderam com a civilização, são ainda, às vezes, iludidos pela astúcia de seus prisioneiros. Citaremos um fato que nos foi contado por um desses soldados índios.
Uma mulher selvagem e seu filho, da raça dos Guaianases, haviam sido feitos prisioneiros por esses caçadores. Dissimulando sua tristeza, ela os acompanha de boa vontade; mas no caminho manifesta a curiosidade de examinar os fuzis, no que é atendida durante a marcha, sendo-lhe os mesmos entregues. Quando a escolta pára, finalmente, ao pé de uma árvore para passar a noite, a mulher aproveita-se do sono dos guardas para retirar a mecha das armas, fugindo, em seguida, com o filho nos ombros. O ruído inevitável das folhagens pisadas acorda os caçadores, que se apressam a fazer fogo contra ela; mas o atraso provocado pelo ardil dá-lhe tempo de escapar. Esse exemplo não é o único, e em geral é difícil de conservar grande número de prisioneiros de guerra, a menos que se os interne imediatamente nas cidades do interior a fim de desambientá-los. Com todas essas precauções, são quase que apenas as crianças que se conseguem civilizar.
Outros Relatos:
:: Relato do Brigadeiro José Custódio de Sá e Faria.
:: Relato de Auguste de Saint`Hilaire.
:: Relato do Barão de Antonina.
:: Ordens de José Carlos Pereira de Almeida Torres.
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (I)
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (II)
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (III)
:: Relato de Francisco Antonio de Oliveira.
:: Relato de Antônio Vieira dos Santos.
:: Relato de Antonio Ribeiro de Macedo.
:: Relato de Henrique de Beaurepaire Rohan.
:: Relato de Diogo Pinto de Azevedo Portugal.
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